UNICEF destaca desafios do uso de inteligência artificial por crianças e adolescentes
Por Maximino Brügger Perez
17.06.2026 às 17h10m
A pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn orienta pais sobre como acompanhar o uso da IA para preservar sono, alimentação e bem-estar emocional
A inteligência artificial (IA) já faz parte do cotidiano de crianças e adolescentes, presente em aplicativos, jogos, assistentes virtuais e plataformas digitais. Diante desse cenário, a UNICEF tem chamado atenção para a necessidade de orientação e acompanhamento no uso dessas tecnologias.
Materiais recentes da organização indicam que, embora a IA ofereça oportunidades de aprendizado e acesso à informação, também envolve riscos relevantes, como exposição a conteúdos inadequados, desinformação, compartilhamento indevido de dados pessoais e interações que podem não ser adequadas ao desenvolvimento infantil.
Por isso, a recomendação é que pais e educadores participem ativamente do uso dessas ferramentas, promovendo segurança, privacidade e pensamento crítico.
A pediatra Dra. Anna Dominguez Bohn reforça que esse cenário exige um novo olhar da parentalidade: “Inteligência artificial é uma realidade que traz muitos desafios para a parentalidade moderna, porque evolui numa rapidez que a maioria das pessoas não consegue acompanhar. Precisamos estar atentos aos nossos filhos, dando ferramentas para que usem essas tecnologias com segurança e responsabilidade”, afirma Dra. Bohn.
Segundo a especialista, esse acompanhamento passa por três pilares:
1. Letramento digital e em IA
“É importante iniciar conversas sobre IA desde cedo, explicando que essas ferramentas seguem instruções e não pensam ou sentem como humanos. Isso ajuda a criança a desenvolver senso crítico.”
2. Privacidade e limites claros
“Alertar que eles não devem compartilhar dados pessoais com chatbots ou aplicativos. Também é essencial respeitar limites de idade e os responsáveis devem acompanhar o uso de perto.”
3. Aprendizado conjunto e uso crítico
“Manter uma comunicação aberta permite que pais e filhos aprendam juntos e usem a IA como apoio, e não como substituto do raciocínio.”
A especialista também orienta para a importância de os pais observarem sinais comportamentais no dia a dia. Segundo a Dra. Anna Dominguez Bohn, o uso excessivo de telas e a exposição precoce a tecnologias podem impactar diretamente o bem-estar emocional das crianças e adolescentes. “É importante que os pais não ignorem mudanças de humor, alterações na alimentação e no sono. Muitas vezes, esses sinais indicam que algo não está indo bem. Principalmente entre adolescentes, essas mudanças podem estar relacionadas ao uso excessivo de telas ou à forma como estão interagindo com essas ferramentas”, explica.
Sobre a especialista:
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