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Entendemos o silêncio corporal de crianças como sinônimo de ordem, mas o cérebro infantil não foi desenhado para aprender em imobilidade prolongada. Ao contrário, ele se estrutura na ação
Adele Diamond demonstrou que funções executivas, o grande “gerente organizacional do nosso cérebro”, encarregado por gerenciar informações diferentes, entender o momento de parar e recalcular a rota, emergem de circuitos que não operam isoladamente no córtex pré-frontal. A interação entre cerebelo e córtex pré-frontal indica que movimento e cognição compartilham bases neurais. Não há um cérebro “pensante” separado de um corpo “executante”. Há um sistema integrado que aprende fazendo.
Essa integração aparece de forma consistente na literatura empírica. Marleen Oudgenoeg-Paz e colaboradores identificam que habilidades motoras nos primeiros anos de vida se associam a desfechos cognitivos posteriores. Em português claro, isso significa que ao explorar o ambiente com o corpo, a criança constrói hipóteses, testa limites e organiza informações.
Na mesma linha, Gesa Libertus evidencia que o desenvolvimento motor está relacionado não apenas à cognição, mas também à percepção e à interação social. Já Hui Shi destaca que atividades motoras que exigem adaptação, estratégia e tomada de decisão tendem a favorecer a eficiência cognitiva. Movimento não é bagunça, excesso de energia ou “hiperatividade”, é investimento neural.
Diante desse corpo teórico, a infância contemporânea apresenta um paradoxo instigante. Segundo a TIC Kids Online Brasil, crianças e adolescentes passam várias horas diárias em ambientes digitais. E o ponto central vai além do tempo de tela, mas na natureza da experiência. A maior parte dessas interações exige pouco deslocamento, pouca coordenação, pouca variação sensório-motora. O corpo participa pouco. O cérebro recebe muito. Essa assimetria pode ser devastadora.
Sem experiências corporais diversificadas, reduz-se a ativação de circuitos que sustentam o desenvolvimento das funções executivas. E, como consequência, surgem dificuldades que costumam ser interpretadas de forma isolada: desatenção, impulsividade, baixa tolerância à frustração. Sintomas que, muitas vezes, são tratados como falhas individuais, quando podem refletir uma arquitetura cotidiana que restringe o agir.
Convém reconhecer: não é a tecnologia, por si só, o problema. A literatura é cautelosa ao evitar relações causais simplistas. O ponto mais consistente é outro, o desenvolvimento depende da qualidade das experiências oferecidas à criança. E experiências corporais são insubstituíveis.
Quando o cotidiano infantil é organizado majoritariamente por telas, perde-se a oportunidade de integrar percepção, ação e pensamento em um mesmo fluxo. Perde-se a chance de aprender com o erro físico, com o ajuste do corpo, com a negociação espacial e social que nenhuma interface digital consegue reproduzir plenamente.
Em um cotidiano cada vez mais mediado por experiências digitais, e, não raro, com restritas oportunidades de ação corporal, é importante reposicionar o movimento como elemento estruturante da aprendizagem. Programas educativos que articulam movimento, autorregulação e habilidades socioemocionais, como práticas de psicomotricidade, dança, artes marciais e jogos em equipe, não configuram apenas atividades complementares, mas contextos de integração funcional entre corpo e cérebro.
Ao exigirem coordenação, tomada de decisão, controle inibitório e interação social, essas experiências favorecem o refinamento de circuitos associados às funções executivas, contribuindo para a organização cognitiva de modo coerente com o que a literatura neurodesenvolvimental tem descrito. Elas são oportunidade de integração e desenvolvimento cerebral para avanço cognitivo. Aqui fica a reflexão: se o cérebro aprende com o corpo, o que estamos oferecendo quando mantemos a infância sentada?
*Sheron Mendes é bióloga, especialista em neurociência do comportamento e professora dos cursos de pós-graduação em educação na UNINTER.
Mães narcisistas: o reflexo distorcido e construção da autoestima
A relação entre mães e filhos é frequentemente idealizada pela sociedade como um vínculo de amor incondicional e acolhimento absoluto
No entanto, quando a figura materna apresenta traços marcantes de narcisismo, essa dinâmica familiar sofre uma profunda distorção, deixando marcas silenciosas, porém muito profundas no desenvolvimento emocional da criança. Para a psicanálise, a mãe atua como o primeiro “espelho” do bebê e primeiro lugar de amor.
É através do olhar e da resposta materna que a criança começa a reconhecer a si mesma, a dar contorno às suas próprias emoções e a construir o seu valor no mundo. Mas o que acontece quando esse espelho não reflete a criança, e sim a própria mãe?
Uma mãe com comportamento narcisista tem uma grande dificuldade em enxergar os filhos como indivíduos próprios, dotados de desejos, opiniões e necessidades. Em vez disso, ela os enxerga como extensões de si mesma. O papel da criança, muitas vezes de forma inconsciente, passa a ser o de alimentar o ego materno.
Isso pode ocorrer de duas formas: seja alcançando um sucesso irreal para que a mãe possa se exibir perante os outros, seja mantendo-se totalmente submissa para jamais ofuscar o brilho e o controle que a mãe exige possuir.
Nesse cenário de exigências, o desenvolvimento emocional do filho é severamente prejudicado. As emoções genuínas da criança são frequentemente invalidadas, minimizadas ou ignoradas. Se ela demonstra tristeza ou frustração, a mãe pode interpretar isso como uma afronta pessoal ou um ataque, em vez de acolher o sofrimento. Como consequência, a criança aprende desde muito cedo uma lição dolorosa: para receber algum afeto (ou simplesmente para evitar a rejeição), ela precisa esconder quem realmente é.
Para sobreviver a esse ambiente de desamparo, a criança cria o que a psicanálise chama de “falso self” (um falso eu). Trata-se de uma máscara de proteção emocional. O filho passa a agir exclusivamente de acordo com o que a mãe espera, abafando suas próprias vontades e sua espontaneidade. Ele se torna um verdadeiro especialista em monitorar o humor materno para evitar conflitos, vivendo em um estado de alerta constante.
Esse apagamento afeta diretamente a construção da autoestima. Uma autoestima saudável nasce da experiência de ser amado e aceito pelo que se é, com falhas e virtudes. Quando o amor materno é condicional e focado apenas na utilidade da criança para a imagem da mãe, o filho cresce com uma sensação crônica de inadequação e vazio. Ele carrega a crença silenciosa de que “nunca é bom o bastante”.
Na vida adulta, isso pode se traduzir em relacionamentos afetivos abusivos, dificuldade em impor limites, autocrítica implacável e uma busca incessante por aprovação externa. A pessoa continua procurando no mundo o olhar de aceitação que lhe faltou na infância.
Reconhecer que se cresceu sob a sombra de uma mãe narcisista é um processo muito doloroso, pois exige enfrentar a dura realidade do vazio emocional vivenciado no passado. Contudo, essa tomada de consciência é o primeiro passo para a libertação. O processo terapêutico oferece um espaço seguro e sem julgamentos para que o indivíduo possa, finalmente, dar voz àquela criança que foi silenciada.
Ao elaborar essas feridas na análise, é perfeitamente possível quebrar o ciclo de dor, resgatar a própria identidade e reconstruir a autoestima, aprendendo a se olhar com compaixão e libertando-se definitivamente do reflexo distorcido do passado.
* Elizandra Souza é psicanalista, escritora, palestrante e docente com mais de 20 anos de experiência em atendimento clínico e formação de profissionais. Atua com cursos, palestras e atendimentos voltados a psicólogos, psicanalistas, profissionais do Direito e pessoas interessadas em saúde mental, comportamento e relações humanas.
É especialista em Psicanálise e Linguagem e em Magistério do Ensino Superior pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a PUC-SP. Possui Mestrado em Educação pela Universidade São Francisco, em Itatiba, e atualmente é doutoranda em Psicologia pela Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales, em Buenos Aires.
Ao longo da carreira, tornou-se professora convidada em diversas instituições de ensino pelo Brasil e passou a abordar temas como crime e psicanálise, misoginia, feminicídio, ansiedade, depressão, infância hiperconectada, violência, transtornos emocionais e os impactos da saúde mental nas relações pessoais e profissionais
Crianças endividadas? O alerta silencioso do consumo precoce na era do Pix e dos jogos online
Clariana Barcelos, especialista em educação financeira, alerta para o avanço do consumo digital entre crianças e defende que o problema não é o acesso ao dinheiro, mas a ausência de diálogo e orientação dentro de casa
O acesso cada vez mais facilitado ao dinheiro, agora a poucos cliques de distância via Pix, cartões digitais e compras dentro de jogos, está transformando a forma como crianças e adolescentes se relacionam com o consumo. O que antes dependia da mediação direta dos pais, hoje acontece de maneira rápida, silenciosa e, muitas vezes, invisível.
Nesse cenário, cresce um fenômeno ainda pouco discutido: o consumo precoce e desassistido, que pode levar crianças a desenvolver comportamentos impulsivos, dificuldade de lidar com frustrações e uma relação pouco consciente com o dinheiro.
Para a educadora financeira Clariana Barcelos, o problema não está na tecnologia em si, mas na forma como ela vem sendo incorporada à rotina familiar. “A gente não está falando de crianças com dívidas formais, mas de um comportamento de consumo que começa muito cedo e sem orientação. Isso tem impacto direto na forma como esse indivíduo vai lidar com dinheiro na vida adulta”, explica.
Segundo a especialista, a lógica dos jogos online, que estimulam compras rápidas, recompensas imediatas e o uso de moedas virtuais, pode confundir a percepção de valor das crianças. “Quando o dinheiro deixa de ser físico, ele também deixa de ser concreto. Para uma criança, gastar em um clique não tem o mesmo peso de entregar uma nota ou ver o dinheiro acabar”, afirma.
Além disso, o uso do Pix e de cartões vinculados às contas dos pais reduz ainda mais a barreira entre desejo e consumo. “Hoje, a criança não precisa esperar, juntar ou escolher. Isso elimina etapas fundamentais do aprendizado financeiro, como planejamento, paciência e tomada de decisão”, diz Clariana.
A especialista também chama atenção para o papel das emoções nesse processo. “Muitos pais, por falta de tempo ou por culpa, acabam cedendo com mais facilidade aos pedidos. O consumo vira uma forma de compensação emocional e isso é muito perigoso quando se torna um padrão”, alerta.
Abaixo, Clariana compartilha dicas práticas para ajudar aos pais na orientação do consumo digital:
1. Torne o dinheiro visível
Mesmo no digital, ajude a criança a entender o valor real das compras. Sempre traduza: “isso custa X reais” e não apenas moedas do jogo.
2. Crie combinados claros
Defina regras para compras online, como limites de valor e frequência. O importante é que a criança saiba o que pode e o que não pode.
3. Evite o “sim automático”
Nem todo pedido precisa ser atendido. A frustração também faz parte do aprendizado financeiro.
4. Inclua a criança nas decisões
Mostre escolhas do dia a dia: “vamos gastar com isso ou guardar para aquilo?”. Isso desenvolve consciência e prioridade.
5. Fale sobre dinheiro sem tabu
Quanto mais natural for o tema dentro de casa, maior a chance de a criança desenvolver uma relação saudável com o consumo.
Para Clariana, o caminho não está na proibição, mas na construção de uma relação mais consciente com o dinheiro desde cedo. Isso inclui conversas abertas sobre consumo, a participação das crianças em decisões financeiras simples do dia a dia e a criação de combinados claros sobre gastos digitais.
A especialista compartilha abaixo os 5 erros mais comuns dos pais na educação financeira digital de seus filhos:
1. Achar que “é só um joguinho”
Compras dentro de jogos são consumo real e, muitas vezes, recorrente. Ignorar isso é subestimar o impacto financeiro.
2. Liberar o Pix sem supervisão
Facilidade sem orientação acelera o consumo impulsivo e impede o aprendizado sobre limites.
3. Não falar sobre dinheiro
O silêncio não protege, só faz com que a criança aprenda sobre consumo com o mercado.
4. Usar o consumo como recompensa ou compensação
Presentear para aliviar culpa ou emocionar pode criar uma associação perigosa entre dinheiro e afeto.
5. Evitar dizer “não”
Sem frustração, não existe aprendizado financeiro. O “não” também educa.
“Educação financeira não é quanto a criança tem, mas como ela entende o dinheiro. Se a gente não ensina, o mercado ensina e normalmente da pior forma possível”, conclui.
Sobre Clariana Barcelos
Clariana Barcelos é pedagoga, administradora e empreendedora à frente do Poderoso Cofrinho, projeto referência nacional em educação financeira infantil que já impacta milhares de crianças e famílias no Brasil com livros, cursos, materiais didáticos, projetos para escolas e mentorias.
Autora de obras como Meu Poderoso Cofrinho, Minha Mesada Pode Mais e O Valor das Coisas, Clariana combina sua formação acadêmica e mais de 18 anos de experiência no mercado financeiro para tornar a educação sobre dinheiro acessível, prática e lúdica desde os primeiros anos de vida.
Além disso, ela atua como palestrante, colunista e influenciadora digital, defendendo uma abordagem transformadora e democrática para o desenvolvimento da inteligência financeira das novas gerações.
Sobre a Poderoso Cofrinho:
A Poderoso Cofrinho é uma empresa brasileira de educação financeira infantil que tem como missão formar crianças emocional e financeiramente mais conscientes, preparando-as para decisões mais saudáveis ao longo da vida. Fundada por Clariana Barcelos, a marca desenvolve livros, cursos, jogos, materiais pedagógicos e projetos educacionais para famílias, escolas e empresas, utilizando uma linguagem lúdica, acessível e alinhada ao desenvolvimento infantil.
Referência no tema no Brasil, a Poderoso Cofrinho atua para democratizar o diálogo sobre dinheiro desde a infância, contribuindo para uma relação mais equilibrada, ética e responsável com as finanças nas próximas gerações.
Estudo revela que 65% das mulheres não se sentem seguras para caminhar a noite sozinha
Análise inédita mostra que insegurança urbana restringe mobilidade, convivência e lazer e coexiste com o maior índice de otimismo já registrado entre brasileiros
Para a maioria das mulheres brasileiras, circular sozinha à noite não é um risco calculado. Dados do estudo O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, conduzido pela pesquisadora da Ciência da Felicidade Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia, mostram que 65% das mulheres não se sentem seguras para caminhar sozinhas após o anoitecer. Entre os homens, o índice é de 40%, considerado alto para revelar que o problema não é de gênero apenas, mas de cidade.
No total, 53% dos brasileiros relatam essa restrição no cotidiano. Um número que, segundo a pesquisa, não se limita à percepção de violência, ele molda escolhas concretas sobre onde ir, com quem, em que horário. A insegurança deixou de ser uma estatística e passou a ser um organizador da rotina urbana.
Desconfiança que vem de cima
O dado de mobilidade não aparece sozinho. Ele integra um quadro mais amplo de erosão da confiança: 81% dos brasileiros percebem a corrupção como generalizada no governo e 66% nas empresas. Para Renata Rivetti, os dois fenômenos se alimentam. “Bem-estar não depende apenas de fatores individuais. Ele exige condições externas como segurança, confiança, previsibilidade, que permitem às pessoas viver com mais liberdade”, afirma.
Quando essas condições faltam de forma sistêmica, o impacto vai além do medo de sair à noite. Afeta a percepção de pertencimento, a disposição para o convívio social e, em última instância, a qualidade dos vínculos que sustentam o bem-estar coletivo.
O otimismo que resiste
O que a pesquisa revela com igual força é o que acontece apesar desse cenário. Mesmo diante da insegurança cotidiana e baixa confiança institucional, 93% dos brasileiros afirmam ter esperança em dias melhores, sendo 67% de forma plena e 27% ao menos parcialmente.
Não é ingenuidade. É, segundo Rivetti, uma forma ativa de resistência. “O brasileiro desconfia das instituições, mas continua acreditando no futuro. Essa resiliência é real, mas não pode ser confundida com ausência de problemas estruturais que precisam ser enfrentados”, explica.
Os números emocionais da pesquisa traduzem essa tensão com precisão: 46% dos entrevistados relataram preocupação frequente no dia anterior à entrevista, 33% apontaram ansiedade como emoção predominante e 29% descreveram o estresse como presença diária.
Metodologia
O Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 é o primeiro diagnóstico nacional que investiga os fatores que influenciam o bem-estar da população brasileira, incluindo aspectos emocionais, sociais, econômicos e digitais, oferecendo uma leitura aprofundada sobre os impactos da tecnologia na vida cotidiana.
O estudo foi conduzido por Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. Foram realizadas 1.500 entrevistas em todas as regiões do país, entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, com 95% de confiança estatística e margem de erro de 2,5 pontos percentuais.
Síndrome do ninho vazio e o ingrediente essencial para uma vida longa
Muitas vezes, quando falamos sobre longevidade, o pensamento corre imediatamente para as farmácias, os exames de rotina ou a contagem de calorias
É claro que o corpo precisa de manutenção, mas há um ingrediente essencial para uma vida longa que não se compra em drogaria: o pertencimento. Viver muito e com qualidade é, acima de tudo, ter motivos para acordar e pessoas com quem partilhar o café da manhã. Afinal, a verdadeira arte de envelhecer bem reside na profundidade dos nossos vínculos e na capacidade de manter vivo o nosso legado.
Infelizmente, temos assistido a um fenômeno silencioso em nossas casas. A pressa, essa vilã da modernidade, está roubando o tempo da mesa e silenciando o coração da casa. Antigamente, a cozinha era um “santuário”, o lugar onde as receitas eram transmitidas não por papel, mas pela observação e pelo afeto.
Quando deixamos de sentar juntos para comer, perdemos muito mais do que o sabor de um tempero caseiro; perdemos a oportunidade de validar a sabedoria de quem já percorreu caminhos que ainda nem sonhamos em trilhar. Receitas de família são patrimônios imateriais que estão se perdendo porque não paramos mais para aprender o segredo de um assado com quem realmente entende do assunto e da vida.
Essa desconexão é um terreno fértil para a chamada Síndrome do Ninho Vazio. Quando os filhos partem e a agitação da casa silencia, os pais muitas vezes se deparam com um espelho que reflete apenas a ausência. Esse vazio não é apenas um sentimento; ele impacta severamente a saúde física, psicológica e social.
A sensação de que o papel de cuidar e proteger terminou pode levar ao desânimo e à negligência com a própria nutrição. O ser humano é um animal social e, na maturidade, o isolamento é um dos maiores venenos, combatido apenas com a percepção de que ainda se é útil e amado.
Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS), dentro da “Década do Envelhecimento Saudável”, ressalta que o bem-estar não depende apenas da ausência de doenças, mas da manutenção de habilidades e conexões que permitam à pessoa ser e fazer o que valoriza. Embora não haja um diagnóstico médico específico para a Síndrome do Ninho Vazio, a OMS reconhece que esta é uma pauta delicada que requer atenção cuidadosa.
Nesse contexto, a saída dos filhos de casa pode ser um momento de transição significativa para as famílias, pois pode coincidir com outras mudanças, como a aposentadoria e a menopausa, agravando sentimentos de baixa autoestima e até depressão.
Precisamos, portanto, resgatar a arte da escuta e entender que a sabedoria não está nos livros, mas nos olhos de quem já atravessou décadas de invernos e primaveras. Escutar uma pessoa mais madura ou uma pessoa idosa é um ato de cuidado profundo e uma forma de combater a invisibilidade que a idade muitas vezes impõe. Ao trazermos nossos mais velhos de volta para o centro das conversas, garantimos que eles continuem inseridos no fluxo da vida, sentindo que sua jornada faz sentido para as novas gerações.
Longevidade plena se faz com a alma alimentada por conexões reais. Que possamos desacelerar o relógio para reencontrar o tempo do outro e redescobrir o prazer da partilha. Que as memórias não se percam em cadernos empoeirados, mas ganhem vida nas mãos dos netos. Envelhecer com dignidade é saber que, mesmo com o ninho mudando de forma, o coração continua sendo um lugar de pouso, respeito e continuidade.
*Ingrid de Paula Ferreira é nutricionista, com especialização em Nutrição Clínica e Professora de Nutrição no Centro Universitário Internacional – UNINTER.
Redações latino-americanas traçam caminhos mais seguros para jornalistas mulheres
Após o fechamento do respeitado veículo guatemalteco elPeriódico, em maio de 2023 — depois de uma perseguição prolongada contra seu fundador, José Rubén Zamora —, alguns de seus jornalistas decidiram continuar o trabalho que marcou a publicação
“Eles tentaram nos silenciar, mas não conseguiram”, disse Gerson Ortiz, o último editor-chefe do elPeriódico, à LatAm Journalism Review (LJR) em julho de 2024. “Eles encerraram o elPeriódico, mas o jornalismo na Guatemala continua vivo.”
Ortiz, junto com a então diretora Julia Corado, lançou o eP Investiga em abril de 2024 — um veículo investigativo inspirado no jornalismo ambicioso e crítico de seu antecessor. Contudo, os desafios surgiram de imediato, e os obstáculos foram ainda maiores, pois ambos foram obrigados a codirigir o veículo a partir do exílio.
Uma repórter foi agredida por um advogado investigado por suposta fraude fiscal. E o site saiu do ar após um ataque de bots enquanto a equipe cobria a prisão de uma defensora dos direitos humanos no país vizinho, El Salvador.
A direção do veículo afirmou que a resposta das autoridades foi insuficiente ou até agravou os danos, expondo o quão pouco preparada estava a pequena equipe para enfrentar tais ameaças.
“Como somos um veículo novo, com uma redação enxuta, ainda temos pendências a resolver, como estabelecer protocolos de segurança e definir como reagir em caso de emergência”, contou à LJR uma das editoras, Shirlie Rodríguez.
Atenta a isso, a equipe do eP Investiga inscreveu-se para participar do programa “Salvaguardando Vozes Femininas: Aprimorando Estratégias de Segurança com Recorte de Gênero nas Redações”, uma iniciativa de um ano concebida para ajudar veículos a fortalecer suas medidas de segurança e lidar com os riscos específicos enfrentados por jornalistas mulheres. O eP Investiga foi um dos apenas três veículos da América Latina e Caribe selecionados.
A group of people in front oEquipe do meio guatemalteco eP Investiga, um dos três veículos da América Latina e do Caribe que fazem parte da iniciativa “Safeguarding Women’s Voices”. (Foto: Cortesia) O programa, administrado pela International Women’s Media Foundation (IWMF) e pela UNESCO, reúne 11 veículos de todo o mundo. Segundo a IWMF, os outros dois veículos latino-americanos preferiram não ter seus nomes divulgados.
Os participantes recebem apoio personalizado para desenvolver protocolos de segurança adaptados às ameaças que enfrentam — sejam elas de âmbito nacional ou ligadas à cobertura diária —, explicou à LJR a gerente do programa, Angelica Mayor.
A iniciativa começa com avaliações das vulnerabilidades de cada redação e das medidas de proteção já existentes, seguidas de grupos focais com as equipes participantes e colaboradores freelancers, além de treinamentos em segurança física e digital.
As necessidades variam bastante. Alguns veículos sofrem intimidação de autoridades públicas; outros lidam com desafios logísticos e jurídicos de operar além-fronteiras, como é o caso das redações no exílio, a exemplo do eP Investiga.
“Quando falamos de jornalistas no exílio, há muita compartimentalização, pois trabalham com colegas que ainda estão no país, enquanto outros estão fora, deixando a redação em situação bem precária”, disse Mayor.
Apesar dessas particularidades, as conversas iniciais permitiram à equipe do programa identificar padrões globais. Um deles envolve ameaças de agentes estatais, mais especificamente a vigilância sobre as redações. Grupos criminosos também vigiam, agora utilizando drones, assim como fazem os agentes estatais.
As redações também enfrentam assassinatos, extorsão e exposição a áreas de conflitos (cobertura de tiroteios, ataques etc.). No campo digital, contou Mayor, há inúmeros casos de phishing (alguns mais sofisticados que outros), ataques a sites e redes sociais, além de vigilância online. Casos envolvendo o spyware Pegasus e outros softwares estão entre as maiores preocupações.
“Muitas redações não têm uma estrutura de comunicação segura”, explicou Mayor, incluindo aí a proteção do contato com fontes. “Portanto, estamos trabalhando para garantir que usem autenticação de dois fatores, que reconheçam quando dispositivos pessoais são usados para o trabalho e como isso pode comprometer pessoas devido às informações armazenadas nesses dispositivos.”
Alguns veículos têm seus endereços físicos vinculados ao do jornalista ou editor, o que aumenta o risco de doxxing e até de violência física. “Também há o assédio online como tática para desencorajar a cobertura e isso atinge de forma predominante — ou desproporcional — jornalistas mulheres e profissionais de grupos marginalizados, o que desestimula ainda mais o trabalho jornalístico”, afirmou Mayor.
De fato, um estudo global de 2021 apontou que 73 % das jornalistas entrevistadas relataram ter sofrido assédio online em algum momento por causa de seu trabalho. Além disso, os ataques foram mais intensos contra mulheres que se identificavam como indígenas ou negras.
Esses casos levam à autocensura e até ao abandono da profissão por parte de mulheres. É justamente por isso que a iniciativa busca protegê-las. “O programa contempla todos os gêneros, mas sempre aplicamos um olhar sensível a gênero porque […] nossas pesquisas mostram que jornalistas mulheres e não bináries recebem mais ameaças por conta de sua identidade”, disse Mayor.
Rodríguez concorda; ela também observa que os ataques direcionados às mulheres da equipe tendem a ser sexualizados e misóginos — agressões que acabam levando ao abandono do jornalismo. Rodríguez cita o caso de violência física contra sua colega como particularmente “chocante”. Além da agressão em si, preocupava-os a falta de clareza, dentro da redação, sobre quais protocolos seguir e onde buscar assistência jurídica.
Algo semelhante ocorreu com um ataque digital, que deixou o site fora do ar por pelo menos seis horas. A equipe técnica detectou “atividade incomum de bots” originada dos Estados Unidos e de El Salvador — justamente no momento em que cobriam a detenção da defensora de direitos humanos Ruth López em El Salvador.
“Os riscos são maiores para as mulheres. Os ataques são dirigidos violentamente à pessoa delas — como indivíduos”, afirmou Rodríguez. “Com esta iniciativa, esperamos estar mais preparadas para lidar com esses problemas.”
O que pode mudar com a criminalização da misoginia no Brasil
Aprovado no Senado, projeto reconhece o ecossistema que sustenta a violência de gênero, equipara o ódio contra mulheres a outras formas de discriminação e endurece punições. Projeto ainda precisa do aval da Câmara dos Deputados e do presidente Lula
O Senado Federal aprovou um projeto que criminaliza a misoginia ao incluí-la na Lei de Crimes de Preconceito, legislação que já pune discriminação por raça, religião e origem. De acordo com esse texto, o ódio e a incitação à violência contra mulheres passam a ser reconhecidos como crime de preconceito, com penas que podem chegar a até cinco anos de prisão, além de multa.
De autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB) e relatado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos), projeto segue agora para análise na Câmara dos Deputados e, se aprovado, será encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com o aval de ambas as instâncias, a medida entra em vigor após a publicação no Diário Oficial. O termo misoginia se refere ao ódio, desprezo ou aversão às mulheres – fenômeno estrutural que atravessa diferentes esferas da sociedade. Isso pode se manifestar de forma explícita, através de ataques verbais, ameaças e violência, ou de maneira sutil, por meio da deslegitimação, da ridicularização e da tentativa de silenciamento.
Na prática, a inclusão da misoginia na Lei de Crimes de Preconceito faz com que ela deixe de ser tratada apenas como injúria e difamação e seja enquadrada como um crime específico. Isso facilita as investigações e permite punir, com mais rigor, casos de ataques verbais e campanhas de ódio – inclusive no ambiente digital. A mudança marca um avanço ao reconhecer a misoginia como uma forma estrutural de discriminação, semelhante a outras já previstas na legislação, como o racismo.
Por que a aprovação da lei é tão importante?
O projeto de criminalização da misoginia amplia o combate à violência de gênero para além das agressões físicas, passando a incluir também suas dimensões discursivas. Nesse sentido, complementa legislações já existentes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio. Isso significa que não apenas a agressão passa a ser punida, mas também a motivação misógina que a sustenta.
Essa mudança se torna ainda mais relevante em um momento em que o discurso de ódio contra mulheres ganha força na internet, impulsionado pela expansão de comunidades online associadas ao chamado movimento red pill. Esses espaços, em geral frequentados por homens alinhados a visões ultraconservadoras, disseminam conteúdos misóginos, teorias conspiratórias e narrativas que incentivam a hostilidade contra mulheres – muitas vezes por meio de campanhas coordenadas de ataque nas redes sociais e, em alguns casos, evoluindo para agressões também no offline.
* Se você ou alguém que você conhece está vivendo violência doméstica ou de gênero, denuncie pelo 180. O serviço é gratuito, 24 horas por dia e está disponível em todo o Brasil. Em caso de emergência, ligue 190.
Estudo mostra que, quanto mais você fica com sua mãe, mais tempo de vida ela terá
Convidar sua mãe e sua avó para jantar pode prolongar e melhorar a qualidade de vida delas, mostra um novo estudo
Isso porque pesquisadores da University of California (EUA), descobriram que a solidão desempenha um papel importante no declínio, muitas vezes associado à velhice.
O estudo acompanhou 1.600 adultos, com uma idade média de 71 anos. Apesar de controlar o status socioeconômico e a saúde, os solitários consistentemente mantinham taxas de mortalidade mais altas. Quase 23% dos participantes solitários morreram dentro de seis anos do estudo. Os que relataram companhia adequada e faleceram nesse período, por sua vez, foram apenas 14%.
A necessidade que tivemos em nossas vidas inteiras – pessoas que nos conhecem, nos valorizam, que nos trazem alegria – que nunca vai embora”, explicou Barbara Moscowitz, assistente social geriátrica do Massachusetts General Hospital, ao The New York Times.
“Idosos dão grande valor a essas relações. Tudo se resume a importantes habilidades relacionais”, disse ao The New York Times a professora de desenvolvimento humano na Virginia Tech, Rosemary Blieszner. Estas habilidades, por sua vez, são as que nossos avós tiveram uma vida inteira para aprimorar.
“Eles são muito tolerantes com as imperfeições, características e comportamentos dos amigos, mais do que os jovens adultos”, ressalta ela. “Você traz muito mais experiência para suas amizades quando é mais velho. Você sabe pelo que vale e o que não vale a pena brigar.”
Além de convidar nossos parentes e amigos mais velhos para entrarem em nossas casas, é importante encorajar relacionamentos de idoso. É por isso que, apesar da crença popular, as pessoas mais velhas tendem a prosperar nas chamadas “casas de repouso” independentes ou assistidas. Esses arranjos de vida proporcionam mais maneiras de se misturar, conectar, prosperar.
Benefícios para todos
Passar tempo com pessoas mais velhas pode ajudá-los, mas isso também nos beneficia – a relação simbiótica é inegável. Eles têm o companheirismo e a conversa tão cruciais para a vida cotidiana, e nós recebemos suas histórias, seus abraços e, melhor de tudo, aquelas famosas e secretas receitas de biscoitos.
Fonte: ISTOÉ
O que você precisa saber sobre o Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio
Com números recordes de feminicídio em 2025, os três poderes da República se unem e anunciam uma série de medidas para enfrentar o assassinato de mulheres por razões de gênero
Homens assassinam quatro mulheres por dia no Brasil. Grave bem esse número, porque ele escancara o quanto ficamos – sociedade civil e governo – inertes, sem que muita coisa fosse feita, até que as próprias mulheres se reunissem e gritassem “chega”. Se você acompanhou as notícias, sabe que o estopim aconteceu no fim de 2025, com uma sequência de feminicídios tão absurda, que, nas palavras do presidente Lula (na Folha de S. Paulo), “a gente não imagina que pudesse acontecer”.
As cenas de Taynara (atropelada e arrastada por mais de 1 km pelo carro do ex-namorado), Evelin (que estava no trabalho, quando levou cinco tiros, também do ex-companheiro), Allane e Layse (assassinadas por um colega de trabalho) e Mayara (esfaqueada e morta pelo ex-marido, depois de meses de ameaça) culminaram com o Levante Mulheres Vivas, que promoveu manifestações por todo o Brasil em 7 de dezembro de 2025, e ligou o sinal amarelo no Congresso, Judiciário e Executivo.
Mulheres, não custa lembrar, são mais da metade da população brasileira e maioria do eleitorado (52,4%). E, como disse a ministra Cármen Lúcia, única mulher no Supremo Tribunal Federal, em dezembro passado, “é preciso que a gente saiba que medidas tomar sobre isso, porque não é possível que agora, em plena luz do dia, na rua, os criminosos ataquem sem o menor constrangimento.”
O que é, afinal, o Pacto Nacional Brasil contra o feminicídio?
Anunciado no mês passado pelo presidente Lula e assinado pelos representantes das três casas, o pacto, na prática, une os três poderes para reconhecer que o feminicídio tem precedentes estruturais, precisa de políticas públicas de prevenção e de mecanismos de proteção e responsabilização.
Tudo isso para garantir o que parece óbvio, mas não é: o direito à vida de meninas e mulheres em toda a sua diversidade. Uma espécie de manual para que o enfrentamento ao feminicídio se torne uma política transversal e permanente do Estado brasileiro – e não apenas algumas medidas importantes, como a tipificação de crime de feminicídio em 2015, mas isoladas.
O documento, que conta com um calendário estratégico de ações, ancoradas em efemérides, como Dia Internacional da Mulher (08/03) ou o Dia da Lei Maria da Penha (07/08), é, sem dúvida, um passo importante, uma sinalização de que a violência contra as mulheres não pode ser tolerada. Mas deixa muitas dúvidas.
Impacto esperado na redução do feminicídio
Embora elenque os objetivos do comitê, que tem quatro representantes de cada poder e coordenação da Presidência da República, por exemplo, não fica claro como tudo acontecerá na prática – tampouco, quando.
No quesito recursos, por exemplo, aparece no documento a “garantia de recursos orçamentários adequados”, sem citação a qualquer número ou porcentual do Orçamento. Também não fica explícito como a violência digital, apontada como um dos diferenciais e inovações do pacto, será combatida. As big tech serão finalmente regulamentadas? Punidas? E mais: isso acontecerá em tempo ágil, real time, ou só depois dos crimes cometidos?
Avanços iniciais
Talvez uma das maiores utilidades, por ora, seja o próprio letramento de políticos e membros do judiciário (vale recordar a violência jurídica sofrida por Mari Ferrer, também entrevistada da ELLE View de dezembro), além do reconhecimento, já apontado no relatório da ONU Mulheres “Feminicides in 2024“, de que o feminicídio costuma ser o desfecho mais trágico de um ciclo de violências anteriores.
Violência psicológica (condutas que causam danos emocionais, diminuem a autoestima ou controlam decisões mediante ameaça, humilhação, isolamento, vigilância constante e chantagem), assédio moral (que frequentemente e repetidamente humilha, constrange e desqualifica), stalking e indução ao suicídio fazem parte do grupo de violências que ainda costumam ser minimizadas, assim como as patrimoniais e morais (calúnia, difamação e injúria).
Muitas vezes, porém, elas são a licença silenciosa para que homens passem para a violência física e os desaparecimentos – no fim de 2025 também, a corretora Daiane Alves de Souza “desapareceu” após descer ao subsolo do seu condomínio em Caldas Novas para verificar a energia. Mês passado, o síndico confessou o crime e indicou o local do corpo.
Outros tipos de violências especificadas em bom português são as de natureza sexual e exploratória. Entram aqui, abuso sexual (qualquer forma de conduta sexual não desejada, verbal, não-verbal ou física), violência sexual (uso de força ou coação, incluindo o impedimento do uso de camisinha, por exemplo, ou a indução ao aborto), assédio sexual (toda tentativa de obter vantagem ou favorecimento sexual no ambiente esportivo ou no trabalho), e exploração sexual comercial (como as que vêm sendo divulgadas no caso Epstein, incluindo a de meninas e mulheres brasileiras).
Afinal, mais do que ver agressores punidos e quebrar o ciclo de violência, nós queremos não ter que passar por ele. Se o problema é estrutural, é preciso sacudir as estruturas.
Fonte; Elle
Uber lança opção para passageiras viajarem com motoristas mulheres no Rio de Janeiro
Ferramenta faz parte da expansão do recurso “Uber Mulher”, que começou a ser liberado em várias capitais brasileiras
Usuárias do aplicativo da Uber no Rio de Janeiro passam a contar, a partir de agora, com a possibilidade de solicitar viagens com motoristas mulheres. A novidade integra a expansão do recurso chamado “Uber Mulher”, que começou a ser disponibilizado gradualmente em capitais do país como São Paulo, Belo Horizonte, Recife, Salvador e Fortaleza.
A ferramenta já vinha sendo testada em sete municípios brasileiros e agora passa por um processo de ampliação para grandes centros urbanos. O objetivo, segundo a empresa, é oferecer mais conforto e sensação de segurança às passageiras, permitindo que priorizem corridas conduzidas por mulheres.
Dentro do aplicativo, o recurso poderá ser utilizado de três formas diferentes. Uma delas é o Reserve Uber Mulher, que possibilita agendar a corrida com pelo menos 30 minutos de antecedência, garantindo que a viagem seja realizada por uma motorista.
Outra alternativa é ativar a opção “Preferência das Mulheres” nas configurações do perfil. Com a função ligada, o aplicativo passa a priorizar motoristas mulheres nas solicitações da categoria UberX. Contudo, a empresa destaca que essa preferência não garante que a corrida seja necessariamente realizada por uma mulher, já que a disponibilidade depende da quantidade de motoristas ativas na região.
Caso o tempo de espera seja elevado, o sistema pode direcionar automaticamente a viagem para o motorista mais próximo. A terceira modalidade é a opção “Uber Mulher” exibida diretamente na tela inicial do aplicativo. Nela, a usuária pode solicitar uma corrida imediata com motorista mulher.
Se não houver condutoras disponíveis rapidamente, o aplicativo pergunta se a passageira prefere continuar aguardando ou aceitar um motorista próximo. A funcionalidade também poderá ser utilizada por contas do Uber Teens, modalidade destinada a adolescentes entre 12 e 17 anos.
Nesse caso, os responsáveis podem acompanhar a viagem em tempo real e contam com recursos de segurança ativados automaticamente. De acordo com a Uber, a expansão do Uber Mulher faz parte de uma estratégia mais ampla voltada ao enfrentamento da violência contra mulheres, com iniciativas que incluem parcerias com organizações especializadas, campanhas educativas e conteúdos de orientação para motoristas e usuários.
A empresa também informa que vem buscando ampliar a participação feminina na plataforma desde 2019, quando lançou a modalidade U-Elas, que permite que motoristas mulheres escolham aceitar apenas corridas solicitadas por passageiras.