Comportamento

Por trás do balcão: como mulheres que trabalham em bares se defendem do assédio

Elas são constantemente vítimas de assédio por parte de clientes e de colegas de trabalho. Uma de suas principais ferramentas para lidar com as importunações sexuais é a denúncia. Conheça aqui algumas histórias

 

“Fui ajudar uma amiga em um bar. Precisei ir até o estoque e, lá, sozinha, fui coagida. Um cara me agarrou e me beijou à força. Fiquei imóvel, sem saber o que fazer. Quando ele me soltou, falou que sempre quis sair comigo. Respondi que estava ali só para trabalhar e que ele estava entendendo as coisas errado.”

 

Essa é só uma da várias histórias que Stephanie Marink, mixologista e uma das sócias do Espaço 13, localizado no Bexiga, região central de São Paulo, guarda na memória sobre casos de assédio sexual pelos quais já passou em sua experiência de trabalhar em bares.”Tinha 18 anos quando isso aconteceu. Não tinha noção dessas coisas e de que poderia ter denunciado. Não estávamos no auge das discussões para que eu soubesse que isso poderia ser feito. Hoje, com 33 anos, seria diferente”, ela diz.

 

Os números confirmam que as experiências de Stephanie são uma realidade para muitas outras mulheres. Uma pesquisa realizada apenas na cidade de São Paulo pela Rede Nossa São Paulo e publicada em março de 2021 mostrou que 7% das mulheres ainda veem os bares e as casas noturnas como lugares de risco para serem assediadas, só perdendo para o transporte público (52%) e as ruas (20%).

 

Stephanie não apenas sofreu casos de assédio sexual, como também já presenciou e até evitou que mulheres que frequentam seu balcão passassem por algo do gênero. Como uma vez em que colocou um cliente para fora do seu bar.

 

“O cara estava sentado na minha frente e disse que precisaria de um favor. Falei ‘claro, como posso te ajudar?’. Ele respondeu que me daria 50 reais para que eu aumentasse as doses de bebida alcoólica no copo de uma menina para que ela ficasse mais louca e saísse com ele. Na hora, educadamente, respondi ‘quero que você se retire agora do meu bar’. E depois, quando vi a menina indo ao banheiro, fui atrás dela para avisar o que tinha acontecido e para que ela tomasse cuidado”, relata.

 

“Ele foi embora, mas não sem antes ficar me enfrentando, chamando pelo dono do bar. Respondi que eu era a dona e queria que ele saísse imediatamente. Quer dizer, por eu ser mulher e estar servindo não posso ser a proprietária do bar? Isso acontece direto.”

 

A conquista do balcão de bares pelas mulheres não é algo recente. A primeira a se destacar por seus coquetéis foi a inglesa Ada Coleman, ou Coley, que, no início do século XX e com apenas 24 anos, comandou o bar do icônico Savoy Hotel, em Londres, por duas décadas.

 

Mesmo com grandes destaques, ainda hoje, os bares e a noite estão relacionados a um trabalho masculino e, consequentemente, a um pensamento muito machista. Não há números que mostram quantas barmaids comandam balcões pelo país. No entanto, o que é possível afirmar é que o setor de bares e restaurantes tem, em sua maioria, mulheres na operação.

 

De acordo com dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e da Confederação Nacional do Comércio (CNC), estima-se que existam 5,5 milhões de trabalhadores no setor de bares e restaurantes e, destes, 55% seja representado por mulheres.

 

Mesmo com a presença feminina dominante na operação, esses espaços ainda são muito hostis para elas, seja por seus corpos como objetos de desejo, seja também pelo questionamento de suas competências, uma vez que sempre é preciso lidar com uma cobrança redobrada de seus trabalhos.

 

Essa combinação explosiva faz com que elas sejam a linha de frente de muitas experiências que, por vezes, desejavam ficar esquecidas. Ganhadora de prêmios nacionais e internacionais na coquetelaria, Stephanie tem que constantemente reforçar sua posição. “No primeiro campeonato do qual participei, tive que escutar de um cara ‘só ganhou porque é mulher’.”

Cantadas e mais cantadas

 

Comentários desagradáveis são uma constante na vida dessas profissionais. “Escuto direto “nossa, você está muito sexy hoje”. Esses dias, um cliente já conhecido do bar falou “você poderia fazer Xvídeos para tirar uma grana e ficar pelada fazendo gim tônica”. Respondi que não concordava que, pelo fato de ser mulher, deveria fazer isso. Como a gente deve agir? Somos habituadas a ficarmos quietas e em uma posição tão oprimida que é difícil saber o que falar. Acabamos convivendo com essas situações porque, muitas vezes, não se tem escolha”, diz a mixologista.

 

A importunação com cantadas e propostas inconvenientes também é constante na vida da barmaid Alessa Maga. Atualmente morando em Lisboa, a carioca de 46 anos já perdeu as contas de quantas vezes ouviu comentários desse tipo. Como tática, ela diz que assume um comportamento mais sério para se proteger. “Sou muito simpática e, aqui em Portugal especialmente, muitos já confundiram achando que estava dando mole. Por isso fico mais fechada”, diz.

 

Mesmo assim, as lembranças incômodas de assédio são inúmeras. “Estava levando os drinks para a mesa de um grupo de homens. Percebi os olhares, cochichos e conversas sobre mim. Depois um deles veio pedir o telefone com a desculpa de que ‘quem sabe eu poderia fazer drinks para ele’. Fiquei desconfortável, falei que não daria o número e sai.”

Outra situação em que Alessa se sentiu incomodada foi quando um homem a esperou do lado de fora do bar para abordá-la na hora em que ela saísse. “Foi muito ruim. Tive que falar que ele estava se exaltando, que não queria ficar com ele e que não estava entendendo porque me esperava ali.”

 

A falta de apoio dos chefes e locais onde trabalham a deixam com medo de denunciar. “Às vezes, a gente tem que fingir que não ouviu. Não pode falar na frente do cliente senão perdemos o emprego”, diz.

“O medo é sempre nosso”

 

Para Carolina Oda, consultora em hospitalidade e bebidas e comunicadora, esse é um dos pontos mais difíceis de se lidar: o medo. “Nosso mercado é muito pequeno e ainda masculino, todo mundo se conhece. Quem vai comprar uma briga e denunciar um cara que, às vezes, é um dos grandes da área? No final, eles se protegem e a gente briga porque somos nós, mulheres, que sempre precisamos achar um caminho para saber como lidar com esse problema. O medo é sempre nosso.”

 

Ainda hoje Carolina sente o trauma de um caso de assédio sexual pelo qual passou em uma sessão de massagem em um salão de beleza paulistano. Mesmo com um boletim de ocorrência, seu agressor não foi punido. “A impunidade é um gatilho muito forte para mim. Sinto exatamente a mesma sensação no corpo de quando fui fazer o B.O. Meu peito fica manchado, os dedos formigam, sinto taquicardia”, diz. Mesmo assim, a consultora reforça a importância de todas as mulheres denunciarem. “É a única possibilidade de fazermos algo para mudar essas situações.”

 

Ela relembra um caso do começo da carreira, quando era garçonete em um bar de cervejas. “Virei para pegar uma bebida para um cliente e ele falou “isso, vai lá pegar uma cerveja para mim” e deu um tapa na lateral das minhas nádegas. Eu era muito inexperiente naquela época”, conta.

 

Isso, no entanto, não acontece apenas com clientes, mas também com colegas de profissão. “Um deles, famoso que já se posicionou contra assédios, passou a mão nas minhas nádegas duas vezes. Quando eu vi ele falando uma vez que era contra isso, tive o mesmo gatilho no meu corpo porque nada acontece com essas pessoas. Ele se posiciona como santo e faz outra coisa.”

 

Em mais um caso do qual Carol se recorda, foi contratada como consultora de um bar em São Paulo e começou a receber mensagens com segundas intenções. “Esse cara que me contratou estava fazendo um curso de fotografia e, certa vez, era uma hora da manhã, ficou me mandando mensagem dizendo para eu ir na casa dele, que queria fazer foto minha.

 

E ainda completou ‘e vem de fio dental que eu consegui ver, naquela reunião, que você estava usando’. Como ele não conseguiu o que queria, fala mal de mim no mercado. Isso acontece muito em consultoria: contratam o meu trabalho, mas acham que podem sair comigo porque a relação fica mais próxima.”

 

Reforçando o coro dessas profissionais está a barmaid Luisa Saito, de 24 anos, que trabalha no bar Nu I Cru, na Barra Funda, zona oeste da capital paulistana. “Para nossa infelicidade, essa é uma área dominada por homens que não entendem o que é ser mulher em um mundo machista. Aprendi a lidar a minha vida toda com isso. Quando algo acontece, sou bem seca, corto na hora e até bato boca ou tiro onda com os caras, dependendo da situação.”

 

Ela se lembra de uma vez, quando começou a trabalhar na coquetelaria, que tinha receio de ser a única mulher no bar. “Nessa época, teve uma situação com um cliente que ficou falando com as atendentes, passando a mão nas costas, na cintura, e nenhuma de nós se sentia à vontade para se defender ou avisar algum dos sócios, pensando que não ia adiantar de nada.”

 

Hoje, isso seria diferente. “Meu lugar de conforto é com o balcão entre eu e o cliente. Pode falar desaforo que a gente rebate, mas não chega perto e muito menos encoste em mim. Se for para trabalhar num bar em que o dono prefira que eu aceite desaforo, principalmente de homem machista, esse não é um lugar onde quero estar. É sobre priorizar a mim e a minha saúde mental. Se tiver que achar outro lugar para trabalhar, a gente corre atrás!”, finaliza.

 

Fonte: Marie Claire

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Paula Vanessa: uma trajetória de superação, fé e sucesso no Rio de Janeiro

No coração do Rio de Janeiro, destaca-se a trajetória inspiradora de Paula Vanessa Araújo Guedes — mulher multifacetada que conquistou espaço como multiempresária, influenciadora digital, escritora e bispa. Sua história vai além do empreendedorismo: é um testemunho de resiliência, fé e coragem diante das adversidades.

 

Órfã de pai desde os dois anos de idade, vítima da violência que marcava a comunidade de Vila Norma, em São João de Meriti, Paula poderia ter se rendido às dificuldades. No entanto, escolheu o caminho oposto: transformou a dor em força e construiu sua vida sobre os pilares da determinação, da esperança e da fé.

 

Criada pela mãe e pela avó materna — suas maiores referências de amor e espiritualidade — iniciou sua jornada missionária aos 12 anos, levando alegria e a palavra de salvação às comunidades da Baixada Fluminense. Hoje, ao lado do marido, Rodrigo Guedes, exerce o chamado pastoral como bispa, impactando milhares de vidas.

 

Apesar do sonho inicial de seguir a carreira de delegada, foi no turismo que Paula encontrou sua verdadeira paixão. Formou-se em Direito em 2004, mas percebeu durante o estágio que sua vocação estava em outro caminho. Determinada a trilhar a própria rota, em 2008 fundou sua primeira empresa, a TAE TRANSFER, que evoluiu para a PHAM TURISMO.

 

Tornou-se, então, uma das mulheres pioneiras no setor no Rio de Janeiro, oferecendo experiências exclusivas que vão de passeios de helicóptero, cruzeiros internacionais e hospedagens de charme até serviços executivos de transporte e pacotes personalizados dentro e fora do Brasil.

 

“Minha missão é mostrar que, com fé e determinação, é possível transformar dor em propósito e desafios em vitória.”

 

Com sua visão inovadora, Paula não parou por aí. Criou o Método CEC – Confiança para Empreender e Crescer, no qual atua como psicanalista, mentora e palestrante, capacitando mulheres e empresários a desenvolverem habilidades em liderança, networking, gestão financeira e de tempo. Já ajudou a desbloquear o potencial de mais de 2.000 pessoas, tornando-se referência em transformação pessoal e profissional.

 

Agora, dá mais um passo em sua trajetória como escritora. Em breve, lançará o livro “Rasgando o Silêncio” , obra em coautoria em que revela pela primeira vez experiências nunca compartilhadas em suas redes, palestras ou no altar. Um projeto que promete impactar e libertar vidas por meio da verdade e da vulnerabilidade.

 

Paula Vanessa é, sem dúvida, uma história viva de superação e inspiração — um exemplo de que é possível transformar obstáculos em degraus rumo a um propósito maior.

 

Para acompanhar a trajetória de Paula, siga seu perfil no Instagram: @paulavanessaof.

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Mulheres na estrada: dez dicas para quem deseja viajar sozinha

Saiba como escapar de micos no caminho e aproveitar ao máximo sua viagem solo com os conselhos e descobertas de viajantes experientes

 

Conhecer novos lugares, culturas e pessoas são alguns dos grandes prazeres proporcionados pelas viagens. Mas não é sempre que a gente vai encontrar companhia para encarar todas as aventuras possíveis. Ou, talvez, você prefira viajar sozinha – fazer a programação que quiser, ter a liberdade de mudar de ideia a hora que bem entender e conectar-se consigo mesma são experiências que valem a pena ser vividas.

 

Para diversas mulheres, no entanto, a viagem solo pode ser um sonho que vem acompanhado de um certo medo. Dúvidas sobre o destino, a hospedagem e, principalmente, a segurança costumam surgir. Mas não há nada que um bom planejamento e alguns cuidados não possam solucionar.

 

“Minha primeira viagem foi instigada muito pelas redes sociais e essa vontade de conhecer o mundo e de entender que eu sou capaz de fazer isso sozinha, apesar do medo, que é inerente”, conta a advogada Tiffany Sousa, de 23 anos.  Tiffany planejava encontrar a sua família em Buenos Aires, mas, antes, fez uma passagem solo pelo Uruguai.

 

“Desde criança eu desejava conhecer novas culturas e diferentes lugares. Quando passei a ter minha independência financeira, vi que poderia acessar aqueles locais. Em alguns casos, eu chamava as pessoas e ninguém estava disponível ou queria marcar para depois. Mas eu acompanhava muito conteúdo de mulheres que viajavam sozinhas e pensei: ‘Por que não?’”

 

Para inspirar você também a fazer sua viagem solo, convidamos as criadoras de conteúdo Iriane Veloso (@amarmarianomar), Sylvia Barreto (@viajaresimples), Tiffany Sousa (@vaitiffany) e Ariane Marques (@deusaari) para compartilhar as melhores dicas para mulheres que querem pôr o pé na estrada.

 

1 – Explore a cidade

Ao viajar desacompanhada você pode conhecer diferentes pessoas, mas a premissa é que você vai realizar grande parte das atividades sozinha. Por isso, começar a sair sem ninguém um período antes da viagem ajuda você a se habituar com essa configuração. Você pode ir ao cinema, conhecer um restaurante novo, ir a exposições, ao parque ou até a festas, para entender como age nos lugares sozinha, o que a incomoda ou agrada. Construir uma boa relação com a própria companhia é fundamental para curtir o período solo.

 

2 – Entenda qual é a sua praia (ou campo ou cidade)

No momento de planejar o roteiro e entender quanto tempo você deseja passar em cada lugar, é importante entender qual o seu estilo de viagem e o que é inegociável para você. Vale questionar se você prefere lugares mais conectados com a natureza ou cidades com diferentes programações. Outro ponto é compreender as suas prioridades como viajante. Se você deseja economizar em hospedagem e conhecer novas pessoas, hostels podem ser uma boa opção.

 

3 – Comece com viagens curtas

A primeira aventura solo pode causar diversos anseios e, por isso, começar com viagens curtas pode ajudar a ganhar confiança. Uma ida à praia, a alguma cidade histórica ou um destino de turismo ecológico são algumas das opções. Por estar mais perto dos locais que você conhece e da sua rede de apoio, você pode se sentir mais segura para dar os primeiros passos. Outro ponto importante é reservar hospedagem perto de regiões centrais e movimentadas ou próxima dos locais que você deseja conhecer.

 

4 – Procure relatos de outras viajantes

No momento de escolher o destino da sua viagem, além das informações de guias turísticos e reportagens, pesquise depoimentos de outras viajantes que já foram para aquele lugar. Nas redes sociais, é possível encontrar dicas de passeios e hospedagem, além de dados sobre a cultura local e o quanto aquele destino é recomendável para mulheres que viajam desacompanhadas. No mundo ideal, uma mulher deveria poder explorar sozinha qualquer canto que quisesse, mas é preciso ter precaução e colocar a segurança em primeiro lugar.

 

5 – Faça um planejamento financeiro e tenha uma reserva de emergência

Viajar pode parecer fora da realidade ou muito caro para diversas pessoas, mas estabelecer prioridades no orçamento pode ajudar a transformar esse sonho em realidade. Além da passagem e da hospedagem, o planejamento precisa prever outros gastos, como o transporte e a alimentação no local, e também estabelecer como o pagamento será feito, se vai ser à vista ou parcelado o cartão de crédito. Outra dica importante é ter uma reserva de emergência. Esse cuidado é útil em diversas situações.

 

6 – Monte uma bagagem funcional

Evitar o excesso de bagagem vai facilitar muito seus deslocamentos. Opte por peças versáteis, que podem ser utilizadas de diferentes maneiras. Carregue sempre um cadeado para trancar as suas coisas, principalmente se você for se hospedar em hostels. Lembre-se de levar itens básicos de primeiro-socorros e remédios para dores gerais, como dor de cabeça e enjoo. Além disso, vale usar pochetes ou doleiras para guardar documentos, cartões e dinheiro.

 

7. Compartilhe seu roteiro com pessoas de confiança

Pode ser um familiar, o cônjuge ou uma amiga – ou, melhor ainda, todas as opções. O importante é ter pessoas de confiança para compartilhar as informações do seu roteiro e se assegurar de que elas estarão te acompanhando durante o período da viagem.

 

8 – Conecte-se com outras viajantes solo

Viajar sozinha é também uma maneira de fazer novas amizades. E aí vale o bom senso: não dá para ir se abrindo logo com todo mundo nem desconfiar de todos a sua volta. No geral, evite falar que você está viajando sozinha e, se sentir algum tipo de movimentação estranha, se retire ou peça ajuda. Locais como hostels e passeios em grupo podem ser boas opções para conhecer novas pessoas, já que você encontrará outros viajantes solo com interesses em comum. Além disso, ao pesquisar sobre o destino, você pode entrar em contato com outros viajantes e tirar dúvidas sobre o local que você deseja visitar e, assim, começar novas conexões.

 

9 – Atenção com bebidas alcoólicas

Sozinha e longe de casa: definitivamente essa não é a melhor hora para meter o pé na jaca. Não use nada que vai alterar sua consciência. Se você tiver acostumada a tomar uma taça de vinho, por exemplo, tudo bem, mas evite beber muito. Quando você está com a consciência alterada – não precisa nem estar bêbada – não percebe algumas coisas. E é importante se manter ligada. Opte por bebidas lacradas e que você mesma abriu e não aceite bebidas, alcoólicas ou não, nem alimentos de estranhos ou recém-conhecidos.

 

10 – Aproveite a liberdade

A viagem solo é sobre liberdade. Esse é o momento em que você pode escolher seu destino, programação, horários, alimentação e se quer ou não permanecer sozinha durante esse período. Você consegue, enfim, se conectar com o seu desejo, seja ele acordar mais cedo para caminhar na praia ou passar o dia inteiro em museus. E essa autonomia é um grande aprendizado. Descoberta, por sinal, é a palavra que resume muito dessa experiência.

Comportamento

Curtir é flertar? Como a digitalização está mudando a linguagem do amor

Já se foram os dias das cartas românticas. Elas evoluíram para o frio “o que você está fazendo?”, enviadas por mensagens.

 

Faz alguns anos que o digital virou nossas vidas amorosas de cabeça para baixo: stories curtidos como primeiros passos de uma paquera, um casal só se torna oficial depois que uma foto dos pombinhos é postada no Instagram… Isso afeta, pouco a pouco, as nossas histórias do coração.

 

Essas notificações, por mais comuns que sejam quando vêm de amigos, familiares ou até mesmo colegas de trabalho, ganham um significado completamente diferente quando são obra de uma pessoa que poderia se tornar o próximo protagonista da sua vida amorosa.

 

Prova disso são os milhares de tópicos do Reddit em que muitos anônimos vêm em busca de respostas para a pergunta que queima os lábios e faz o coração disparar: “curtir fotos significa que ele/ela está interessado?”

 

Porque já se foram os dias em que flertamos um com o outro com olhares lânguidos, sorrisos tímidos e cartas ardentes. Hoje, para fazer com que os outros entendam que chamaram a nossa atenção, basta inundá-los nos nossos “likes”.

 

E se não existe uma resposta comum à questão colocada pelos internautas, existe uma realidade inegável escondida por detrás deste inocente coração vermelho das redes: na era digital, as nossas linguagens de amor estão mudando, e nem sempre para melhor…

 

Comportamento que cria confusão

 

“Quando um cara que acabou de me seguir vai direto curtir meus stories ou vários posts, entendo na hora. Mas na maioria das vezes, eles ficam em silêncio, não vêm puxar conversa… Então no final, raramente acontece qualquer coisa. Eles só perdem tempo, porque eu valho mais que isso”, diz Marie, de 29 anos.

 

Essa confusão trazida pela simples ação de curtir (muitas vezes de forma repetitiva) sem sinalizar de forma mais clara, seu interesse, é atestada nas discussões dos fóruns citados acima, mas também está presente nos milhões de visualizações que os vídeos sobre “o que significa quando um garoto curte um story no Instagram?” acumulam no TikTok.

 

Dessa imprecisão, porém, emerge um fato óbvio que tendemos a esquecer: sem um dicionário universal do amor, a interpretação de cada um permanece diferente. Tentar declarar o seu amor simplesmente pressionando um botão não é, portanto, o mais eficaz.

 

Amal Tahir, sexóloga, autora (seu próximo livro Meeting with the Thirties: Chronicles of a Single, será publicado em 14 de fevereiro de 2025 na França pela Leduc) e apresentadora do podcast Garce Therapy, fala até sobre uma linguagem de amor “preguiçosa” .

 

“Curtir stories, posts, sim, é um sinal para ficarmos de olho. É para deixar nosso crush perceber que estamos ali, que vimos, que gostamos… Mas é uma visão entre tantas outras, e o relacionamento romântico é o esforço, a concessão e o fato de encontrar um meio-termo para as pessoas que o compõem”.

 

Fonte: Marie Claire

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Já começou o ano brigando? Especialista explica como mudar a vibração do relacionamento

Segundo especialista em reconciliações, conflitos no início do ano não devem ser ignorados e o casal tem como ajustar a energia emocional

 

O início do ano costuma ser associado a renovação, planos e expectativas positivas. No entanto, para muitos casais, janeiro começa marcado por discussões, tensão e conflitos que parecem surgir sem grandes motivos. Brigas logo nos primeiros dias do ano podem indicar mais do que simples estresse: elas revelam uma vibração emocional desalinhada dentro do relacionamento.

 

Segundo Roberson Dariel, especialista em reconciliação de casais e presidente do Instituto Unieb, o começo do ano intensifica emoções que já estavam acumuladas. “As festas, o convívio intenso com a família, questões financeiras e expectativas para o futuro acabam funcionando como gatilhos. O casal entra no novo ano carregando pendências emocionais não resolvidas”, explica.

 

Quando o relacionamento inicia o ano em clima de conflito, é comum que pequenas situações se transformem em grandes discussões. Isso acontece porque a energia do casal está baseada na cobrança, no desgaste e na falta de escuta. “Brigar no começo do ano não significa que a relação está condenada, mas é um sinal claro de que algo precisa ser revisto”, afirma Roberson.

 

Para o especialista, mudar a vibração do relacionamento começa com responsabilidade emocional. Isso envolve reconhecer o próprio comportamento, evitar disputas de ego e interromper ciclos repetitivos de discussão. “Muitos casais brigam sempre pelos mesmos motivos, apenas mudando o cenário. Enquanto não houver consciência, a energia da relação permanece estagnada”, pontua.

 

Roberson Dariel destaca ainda que alinhar expectativas para o novo ano é fundamental. Conversar sobre planos, limites, necessidades emocionais e até medos ajuda a transformar o clima do relacionamento. “Relacionamentos saudáveis não são aqueles sem conflitos, mas aqueles em que o casal consegue transformar tensão em aprendizado e crescimento conjunto”, conclui.

 

Sobre o Instituto UNIEB

 

Fundado em  2010, o Instituto Unieb é o primeiro Instituto de Unificação Espírita do Brasil, associação sem fins lucrativos que une diferentes religiões para ajudar as pessoas a superarem problemas pessoais, profissionais e amorosos. O Unieb, dentro da crença de cada pessoa, realiza os Rituais, atuando com segurança e seriedade, sem a utilização de magias de baixa vibração. Saiba mais clicando aqui!

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Psicóloga trans lança livro sobre histórias de cura e acolhimento de minorias

  1. “Nas esquinas do cuidado: Brenda Lee e a redução de danos” mostra como, muito antes da aplicação de políticas públicas, grupos menores já atuavam com saúde pública

 

Para muitos considerado uma minoria descartável, as travestis são precursores em praticar o acolhimento aos seus pares. Nas ruas, os corpos desumanizados e as potências que reinventaram o cuidado muito antes de ele virar política pública ganha destaque no livro da psicóloga especialista em redução e danos Julia Bueno. “Nas esquinas do cuidado: Brenda Lee e a redução de danos” é fruto de sua tese de mestrado e que, agora, ganha as livrarias através de publicação da Editora Telha.

 

“Nas esquinas do cuidado” investiga as narrativas de pessoas trans e travestis sobre Redução de Danos, cuidado e transfobia, ampliando o debate sobre saúde e direitos humanos. A partir de uma perspectiva construcionista e feminista, a obra analisa como a Redução de Danos é entendida não apenas como tecnologia de saúde, mas como estratégia de sobrevivência que confronta as encruzilhadas do gênero e da vulnerabilidade social.

 

“Para mim foi muito importante perceber como existe uma narrativa que insiste em ver pessoas trans apenas como sujeitas marginalizadas que “precisam de cuidado”. Quando vamos a fundo na história, encontramos Brenda Lee, Cláudia Wonder, Jovana Baby e tantas outras que foram centrais na construção de políticas públicas e na transformação cultural do país. São trajetórias potentes, mas sistematicamente apagadas — quase como um projeto para nos expulsar da história e negar até o nosso direito à memória”, – Julia Bueno, psicóloga e escritora.

 

O livro discute como a transfobia permeia até mesmo espaços que se definem pela promoção de direitos, apontando a necessidade de abordar saúde de forma interseccional, considerando as condições estruturais que vulnerabilizam corpos trans. Ao iluminar essas experiências, a obra contribui para consolidar e expandir o campo da Redução de Danos, destacando a ética travesti como potência transformadora na promoção do cuidado.

 

“Nas esquinas do cuidado” também é uma homenagem à figura trans brasileira Brenda Lee, responsável por décadas atrás, tornar-se figura central no atendimento da população LGBTQIAPN+ antes mesmo dessa sigla ser criada. Seu cuidado, especialmente com pessoas soropositivas, foi um divisor de águas na atenção e no acolhimento dado a essa parcela da população ainda marginalizada em sua maioria.

 

Sobre a autora:

 

Julia Bueno é formada em Psicologia pelas Faculdades Integradas de Guarulhos-SP, especialista em Psicologia Política pela USP, mestra em Psicologia pela UFPE, doutoranda em Psicologia também na UFPE. É pesquisadora no GEMA (Grupo de estudos de gênero e masculinidades), também é redutora de danos, psicóloga clínica, poeta e escritora do livro de poesias “Amor & Revolta” e cofundadora do coletivo psicodelia baixo astral.

 

Sobre a Editora Telha:

 

Fundada no final de 2019, no Rio de Janeiro, a Editora Telha nasceu com o desejo de publicar com liberdade e abrir espaço para vozes plurais, muitas vezes fora dos grandes centros editoriais. Interdependente por natureza, acredita que o trabalho editorial se constrói em rede e que a diversidade de experiências amplia os caminhos da literatura. Já em sua estreia, com Motel Brasil: uma antropologia contemporânea, de Jérôme Souty, alcançou a marca de finalista do Prêmio Jabuti 2020, sinalizando desde o início seu compromisso em valorizar perspectivas que enriquecem o debate cultural.

 

Serviço:

 

Livro: Nas esquinas do cuidado: Brenda Lee e a redução de danos

Autoras: Julia Bueno

Editora: Telha

Preço: R$ 45,00

Disponível para venda através do link

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Especialista dá dicas para reprogramar o cérebro e mudar em 2026

Psicóloga e neurocientista Anaclaudia Zani aborda a importância de não auto sabotar o próprio cérebro, transformando resoluções em resultados verdadeiros e fazendo de 2026 um ano em que as mudanças realmente acontecem

 

Há poucos dias do término de 2025, é comum que a maioria das pessoas esteja revisando metas, estabelecendo novos objetivos e reafirmando intenções para o próximo ano. Para muitos é o momento de “virar a página”, dar um “reset” na vida. No entanto, a realidade é bem diferente e estudos indicam que até 80% das pessoas abandonam suas promessas antes de fevereiro, ou seja, o que antes significava motivação pode acabar virando frustração.

 

A neurocientista e psicóloga Anaclaudia Zani, especialista em comportamento humano com 30 anos de pesquisa na área, ajuda a entender o porquê isso acontece e como evitar a auto sabotagem. Não é falta de disciplina, é o cérebro operando em modo de autoproteção, priorizando hábitos antigos e atalhos mentais já consolidados.

 

“O cérebro é um processador de informações. Somos nós que mandamos nele, então depende muito de como interpretamos o mundo e vamos narrando pra ele e assim ele vai reagindo. É assim que funciona. Nesse sentido, a procrastinação para o cérebro está muito ligada à crítica da pessoa. O medo da frustração de não sair tão bem feito faz com que ela nem faça. Isso é a tal procrastinação e o que as pessoas precisam entender é que é melhor dar o primeiro passo sem necessariamente ser perfeito, pois tudo tem um processo”, explica Anaclaudia, que é criadora da EITA Mentora Virtual, primeira IA que ajuda as pessoas a racionalizar as emoções.

 

Segundo a especialista, colocar em prática as metas estabelecidas vai muito além da disciplina ou da força de vontade: reside na estrutura cerebral e nos vieses psicológicos que regem nosso comportamento. O cérebro humano é programado para repetir comportamentos familiares, economizar energia e evitar esforços cognitivos elevados, exatamente o oposto do que exigem as mudanças de comportamento.

 

Mas, afinal, por que o cérebro sabota nossos planos? 

 

A especialista explica que rodando meio que no “piloto automático”, o cérebro tende a preferir atalhos neurais já consolidados. Hábitos e caminhos antigos, mesmo que ruins, são mais confortáveis do que os novos. Mudanças exigem novas conexões neurais, o que demanda esforço, tempo e constância para o organismo, que cria meio que uma resistência, dificultando que novas rotinas se iniciem.

 

Motivação sem recompensa imediata logo acaba. Ao estabelecer metas, o cérebro libera dopamina –  neurotransmissor que regula a motivação, o prazer, a libido e outras funções, mas quando os resultados demoram, a motivação logo vai embora e o cérebro volta aos padrões e ao conforto dos hábitos antigos.

 

Metas vagas e objetivos abstratos confundem o cérebro, assim como o excesso deles gera sobrecarga cognitiva. É preciso ter clareza sobre como agir mantendo o foco. Evitar resoluções como “entrar em forma”, “cuidar da saúde”, pois são metas amplas demais e que carecem de especificidade. Devemos mostrar ao cérebro como agir para que ele não volte ao automático e não desista rapidamente.

 

Otimismo excessivo sobre a própria capacidade de mudar e a subestimação dos obstáculos, também é uma maneira do cérebro se autosabotar. As promessas precisam sobretudo serem realistas. O excesso de otimismo faz com que as pessoas superestimem sua capacidade de mudança e subestimem obstáculos. O primeiro tropeço gera frustração e abandono da meta.

 

Reprogramando o cérebro para 2026

 

Anaclaudia Zani aponta para a parte biológica do cérebro: “Não há culpa na falha, há biologia. O cérebro não é fixo, é maleável, poupa chance real de mudança”. Por isso, ela elenca algumas maneiras para reprogramar o cérebro para o próximo ano, lembrando que a mudança só se estabiliza a partir do momento em que vira hábito:

 

Defina e estabeleça metas claras, específicas e realistas. Troque “vou me exercitar”, por: “caminhar 20 minutos 3 vezes por semana”. Quanto mais concreto e factível, melhor para a mente. Metas claras reduzem a sobrecarga mental e dão um “mapa” claro para o cérebro seguir.

 

Não faça mudanças radicais, pois tendem a falhar. Comece com passos pequenos, mas que tenham consistência. Lembre-se sempre: hábitos pequenos e frequentes a mente fixa melhor. A neuroplasticidade –  capacidade do sistema nervoso de mudar, aprender e adaptar a sua forma e função ao longo da vida, em resposta a estímulos, experiências, aprendizado, lesões ou doenças, se beneficia da repetição gradual.

 

Como o cérebro gosta de resultados rápidos, pequenas recompensas e reforços positivos são bem vindos e ajudam o cérebro a consolidar o comportamento.

 

Autocompaixão, paciência e resiliência sempre e nada de culpa! Errou? Recomece e não se puna! A culpa bloqueia o aprendizado. A Autocrítica sabota nosso cérebro a ativar mecanismos de stress e medo. O foco deve ser no progresso e não na perfeição.

  • Compartilhe metas com amigos, família, ou mesmo grupos de apoio e acompanhe os progressos periodicamente. A mente entende isso como um sinal de comprometimento e responsabilidade social, fortalecendo o novo objetivo.

 

“É preciso entender o cérebro e seus mecanismos cerebrais e que ele é nosso aliado antes de traçar qualquer meta no papel. Começar a usar a neurociência e a psicologia a favor das intenções pode fazer com que 2026 seja realmente diferente e transformador”, conclui.

 

Sobre Anaclaudia Zani

 

Anaclaudia Zani Ramos é psicóloga, neurocientista e pesquisadora em Neurociência e Desenvolvimento Humano há 30 anos. Criadora do Método InLuc (Inteligência – Liberdade Única Conquistada), reconhecido em congressos internacionais, desenvolve trabalhos com neurociência aplicada voltados para mudanças comportamentais mensuráveis. Atua com foco em alta performance com executivos de grandes empresas como Google e Meta, além de atletas profissionais.

 

É palestrante, escritora e fundadora da startup EITA (Elevar a Inteligência a Treino de Autopercepção), plataforma pioneira de apoio emocional em tempo real que recentemente captou R$ 1 milhão em rodada angel. Anaclaudia também é criadora da Mentora Virtual, primeira IA que ajuda na racionalização das emoções.

 

 

 

Comportamento

Escuta e diálogo nas férias: caminhos para se conectar com crianças e adolescentes

Segundo especialista, diálogo aberto e planejamento conjunto de atividades pode contribuir para redução de conflitos e acidentes

 

A convivência familiar entre pais e filhos aumenta no período de férias escolares, representando uma oportunidade para o fortalecimento de laços, mas também um desafio para o planejamento de atividades e da boa convivência. O aumento do convívio e a quebra da rotina podem elevar o nível de estresse e o atrito entre pais e filhos, muitas vezes intensificados pela pressão por proporcionar lazer e pela sobrecarga de responsabilidades.

 

É fundamental que, mesmo durante o descanso, seja mantida uma rotina. Ainda que haja um pouco mais de flexibilidade, é importante estabelecer horários de sono e de descanso, refeições balanceadas e atividades diversas sem uso de telas, isso auxilia no bem-estar e no desenvolvimento saudável. Além de beneficiar a saúde geral, acordos pré-estabelecidos – ainda que mais flexíveis – facilitam o retorno às atividades escolares no início do ano letivo.

 

“Durante o período de férias, é fundamental preservar uma rotina que contemple momentos de lazer, mas também horários regulares. A manutenção de horários para dormir e acordar contribui para a preservação do ritmo biológico das crianças, refletindo diretamente em seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Além disso, envolver os filhos em algumas decisões, como a definição da programação das atividades, pode favorecer o sentimento de participação e reduzir situações de frustração”, destaca Leia de Almeida, doutora em educação e Gerente Socioeducacional do Marista Brasil.

 

Leia destaca também que a comunicação e o planejamento participativo são essenciais para mitigar o risco de conflitos. Confira algumas dicas para conseguir um período de descanso seguro e harmonioso.

Sobrecarga e a importância da rotina

 

Este período pode gerar o aumento dos conflitos familiares, muitas vezes intensificados pela sobrecarga de responsabilidades e pela pressão por proporcionar lazer. Uma pesquisa de 2023 da IWG, uma rede de coworking, revelou que 62% dos pais consideram estressante conciliar trabalho e cuidados com os filhos nas férias escolares. Consequentemente, mais da metade usa suas folgas anuais para cumprir essas responsabilidades pessoais, enquanto apenas 10% aproveitam integralmente seus dias de férias nesse período.

 

Uma alternativa é recorrer às colônias de férias, contar com o apoio da rede familiar ou, ainda, organizar um rodízio entre os pais da escola para acompanhar as crianças. Eles costumam querer visitar os amigos e se envolver com eles em atividades diferentes. Estimular isso, pode ampliar o vínculo que ajudará no retorno depois.

 

Leia também explica que “muitas vezes, devido ao aumento do convívio familiar com os filhos, algumas preocupações já existentes com certos comportamentos, tais como birras, agressividade, apatia, isolamento, rebeldia ou problemas relacionados ao sono e à alimentação acabam se acentuando, o que pode gerar conflitos. É importante desenvolver ainda mais a sensibilidade para buscar compreender as causas e os motivos disso estar acontecendo. A escuta atenta, o diálogo é sempre a melhor alternativa. Busque se conectar com a criança, com o adolescente, com seu filho ou sua filha. Desligue também das suas telas por algum momento e olhe no olho deles e delas, explique o motivo de suas preocupações ou curiosidades com afeto e empatia”, afirma.

 

Programação leve e variada

 

É importante limitar o tempo de uso de telas pelas crianças e adolescentes durante as férias escolares. O aumento do uso de dispositivos eletrônicos é comum nesse período, mas o excesso pode afetar negativamente o sono, a concentração e a interação social. Uma sugestão é estabelecer horários específicos para o uso da tecnologia, equilibrando-os com brincadeiras e atividades físicas.

 

Além disso, uma programação leve e variada pode estimular o aprendizado e o desenvolvimento dos jovens. Opções como passeios ao ar livre, visitas a museus ou bibliotecas, oficinas artísticas e jogos educativos em família. “São momentos importantes para formação das crianças e dos adolescentes, não só fortalecem os laços afetivos, mas também criam memórias duradouras”, completa a gerente.

 

Envolver todos os integrantes no planejamento

 

Que tal fazer algo diferente da rotina? Atividades como passar o dia em um familiar, viajar, conhecer um lugar novo ou encontrar os amigos podem envolver todos os participantes. É importante que todos compartilhem seus desejos e expectativas, seja para atividades em grupo, novas aventuras ou experiências gastronômicas. Da mesma forma, é crucial estabelecer limites claros e horários de sono e refeições.

 

“Uma comunicação familiar aberta, envolvendo crianças e adolescentes nas decisões sobre viagens ou rotinas pode aumentar a autonomia dos membros e diminuir a chance de frustrações”, comenta Leia.

 

Promover ambientes seguros e protetivos

 

O período de recesso escolar costuma trazer um aumento significativo nos riscos para as crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante as férias há um crescimento de até 25% nos acidentes envolvendo esse público, sendo a maioria dentro de casa. As ocorrências mais comuns incluem quedas, afogamentos, queimaduras e intoxicações.

 

Para reduzir esses riscos, é essencial que haja uma conversa clara com as crianças sobre os perigos e que a vigilância seja constante por parte de um adulto responsável. Entre as recomendações estão: nunca deixar crianças sozinhas em ambientes aquáticos; manter medicamentos e produtos de limpeza em suas embalagens originais, guardados em locais altos e trancados, fora do alcance infantil; e garantir o uso de equipamentos de proteção individual — como capacete, joelheiras e cotoveleiras —, em atividades como skate ou bicicleta.

 

Além da prevenção de acidentes, promover ambientes seguros e protetivos também significa cuidar das relações sociais das crianças. É importante que estejam sempre acompanhadas por pessoas confiáveis, evitando situações de constrangimento ou exposição a riscos emocionais. A atenção dos adultos deve incluir a observação de possíveis mudanças de comportamento, que podem sinalizar desconforto ou experiências negativas. Dessa forma, a proteção vai além do físico, abrangendo também o bem-estar emocional e social, assegurando que as férias sejam vividas com segurança, alegria e tranquilidade.

 

Sobre os Maristas no Brasil

 

Os Maristas no Brasil integram uma rede global presente em mais de 80 países em todos os continentes. Presentes há 128 anos no país, hoje atuam em mais de 94 cidades, em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. São 97 unidades de educação básica, 34 unidades sociais, instituições de ensino superior: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR e Católica de Santa Catarina, o Hospital Cajuru e Marcelino Champagnat, no Paraná, e Hospital São Lucas, em Porto Alegre, além de editoras, como a FTD Educação. Suas 5 frentes principais – Educação Básica, Ensino Superior, Editoras, Saúde e Centros de Defesas – ofertam educação de qualidade e promovem direitos humanos, engajamento solidário e preservação do patrimônio histórico, espiritual e socioambiental brasileiros.

Comportamento

Escuta e diálogo nas férias: caminhos para se conectar com crianças e adolescentes

Segundo especialista, diálogo aberto e planejamento conjunto de atividades podem contribuir para redução de conflitos e acidentes

 

A convivência familiar entre pais e filhos aumenta no período de férias escolares, representando uma oportunidade para o fortalecimento de laços, mas também um desafio para o planejamento de atividades e da boa convivência. O aumento do convívio e a quebra da rotina podem elevar o nível de estresse e o atrito entre pais e filhos, muitas vezes intensificados pela pressão por proporcionar lazer e pela sobrecarga de responsabilidades.

 

É fundamental que, mesmo durante o descanso, seja mantida uma rotina. Ainda que haja um pouco mais de flexibilidade, é importante estabelecer horários de sono e de descanso, refeições balanceadas e atividades diversas sem uso de telas, isso auxilia no bem-estar e no desenvolvimento saudável. Além de beneficiar a saúde geral, acordos pré-estabelecidos – ainda que mais flexíveis – facilitam o retorno às atividades escolares no início do ano letivo.

 

“Durante o período de férias, é fundamental preservar uma rotina que contemple momentos de lazer, mas também horários regulares. A manutenção de horários para dormir e acordar contribui para a preservação do ritmo biológico das crianças, refletindo diretamente em seu desenvolvimento físico, mental e emocional. Além disso, envolver os filhos em algumas decisões, como a definição da programação das atividades, pode favorecer o sentimento de participação e reduzir situações de frustração”, destaca Leia de Almeida, doutora em educação e Gerente Socioeducacional do Marista Brasil.

 

Leia destaca também que a comunicação e o planejamento participativo são essenciais para mitigar o risco de conflitos. Confira algumas dicas para conseguir um período de descanso seguro e harmonioso.

 

Sobrecarga e a importância da rotina

 

Este período pode gerar o aumento dos conflitos familiares, muitas vezes intensificados pela sobrecarga de responsabilidades e pela pressão por proporcionar lazer. Uma pesquisa de 2023 da IWG, uma rede de coworking, revelou que 62% dos pais consideram estressante conciliar trabalho e cuidados com os filhos nas férias escolares. Consequentemente, mais da metade usa suas folgas anuais para cumprir essas responsabilidades pessoais, enquanto apenas 10% aproveitam integralmente seus dias de férias nesse período. Uma alternativa é recorrer às colônias de férias, contar com o apoio da rede familiar ou, ainda, organizar um rodízio entre os pais da escola para acompanhar as crianças. Eles costumam querer visitar os amigos e se envolver com eles em atividades diferentes. Estimular isso, pode ampliar o vínculo que ajudará no retorno depois.

 

Leia também explica que “muitas vezes, devido ao aumento do convívio familiar com os filhos, algumas preocupações já existentes com certos comportamentos, tais como birras, agressividade, apatia, isolamento, rebeldia ou problemas relacionados ao sono e à alimentação acabam se acentuando, o que pode gerar conflitos. É importante desenvolver ainda mais a sensibilidade para buscar compreender as causas e os motivos disso estar acontecendo. A escuta atenta, o diálogo é sempre a melhor alternativa. Busque se conectar com a criança, com o adolescente, com seu filho ou sua filha. Desligue também das suas telas por algum momento e olhe no olho deles e delas, explique o motivo de suas preocupações ou curiosidades com afeto e empatia”, afirma.

 

Programação leve e variada

 

É importante limitar o tempo de uso de telas pelas crianças e adolescentes durante as férias escolares. O aumento do uso de dispositivos eletrônicos é comum nesse período, mas o excesso pode afetar negativamente o sono, a concentração e a interação social. Uma sugestão é estabelecer horários específicos para o uso da tecnologia, equilibrando-os com brincadeiras e atividades físicas.

 

Além disso, uma programação leve e variada pode estimular o aprendizado e o desenvolvimento dos jovens. Opções como passeios ao ar livre, visitas a museus ou bibliotecas, oficinas artísticas e jogos educativos em família. “São momentos importantes para formação das crianças e dos adolescentes, não só fortalecem os laços afetivos, mas também criam memórias duradouras”, completa a gerente.

 

Envolver todos os integrantes no planejamento

 

Que tal fazer algo diferente da rotina? Atividades como passar o dia em um familiar, viajar, conhecer um lugar novo ou encontrar os amigos podem envolver todos os participantes. É importante que todos compartilhem seus desejos e expectativas, seja para atividades em grupo, novas aventuras ou experiências gastronômicas. Da mesma forma, é crucial estabelecer limites claros e horários de sono e refeições. “Uma comunicação familiar aberta, envolvendo crianças e adolescentes nas decisões sobre viagens ou rotinas pode aumentar a autonomia dos membros e diminuir a chance de frustrações”, comenta Leia.

 

Promover ambientes seguros e protetivos

 

O período de recesso escolar costuma trazer um aumento significativo nos riscos para as crianças. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), durante as férias há um crescimento de até 25% nos acidentes envolvendo esse público, sendo a maioria dentro de casa. As ocorrências mais comuns incluem quedas, afogamentos, queimaduras e intoxicações.

Para reduzir esses riscos, é essencial que haja uma conversa clara com as crianças sobre os perigos e que a vigilância seja constante por parte de um adulto responsável. Entre as recomendações estão: nunca deixar crianças sozinhas em ambientes aquáticos; manter medicamentos e produtos de limpeza em suas embalagens originais, guardados em locais altos e trancados, fora do alcance infantil; e garantir o uso de equipamentos de proteção individual — como capacete, joelheiras e cotoveleiras — em atividades como skate ou bicicleta.

 

Além da prevenção de acidentes, promover ambientes seguros e protetivos também significa cuidar das relações sociais das crianças. É importante que estejam sempre acompanhadas por pessoas confiáveis, evitando situações de constrangimento ou exposição a riscos emocionais. A atenção dos adultos deve incluir a observação de possíveis mudanças de comportamento, que podem sinalizar desconforto ou experiências negativas. Dessa forma, a proteção vai além do físico, abrangendo também o bem-estar emocional e social, assegurando que as férias sejam vividas com segurança, alegria e tranquilidade.

 

Sobre os Maristas no Brasil

 

Os Maristas no Brasil integram uma rede global presente em mais de 80 países em todos os continentes. Presentes há 128 anos no país, hoje atuam em mais de 94 cidades, em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal. São 97 unidades de educação básica, 34 unidades sociais, instituições de ensino superior: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS, Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR e Católica de Santa Catarina, o Hospital Cajuru e Marcelino Champagnat, no Paraná, e Hospital São Lucas, em Porto Alegre, além de editoras, como a FTD Educação. Suas 5 frentes principais – Educação Básica, Ensino Superior, Editoras, Saúde e Centros de Defesas – ofertam educação de qualidade e promovem direitos humanos, engajamento solidário e preservação do patrimônio histórico, espiritual e socioambiental brasileiros.

Comportamento

Avós se exercitam mais que netos para cuidar da mente, revela estudo da Vidalink

Check-up de Bem-Estar 2025 mostra inversão preocupante: quanto mais jovem o trabalhador, menos ativo. Entre homens 60+, 46% usam exercícios físicos como principal forma de cuidado mental, ante apenas 34% da Geração Z masculina

 

Avós estão cuidando melhor da mente do que os netos. É o que revela o Check-up de Bem-Estar 2025, maior estudo de bem-estar corporativo do Brasil, conduzido pela Vidalink. O levantamento mostra que as gerações mais velhas no mercado de trabalho são as mais ativas fisicamente: entre os baby boomers (64 a 78 anos), 46% dos homens e 35% das mulheres afirmam realizar exercícios físicos para cuidar da saúde mental.

 

A terceira edição da maior pesquisa de bem-estar corporativo do Brasil, o Check-up de Bem-Estar 2025, analisou dados de  11.600 colaboradores de 250 companhias de diversos mercados e indústrias de grande porte, com mais de 300 colaboradores. Do total de participantes que responderam ao questionário online pelo aplicativo da Vidalink entre janeiro e junho de 2025, 51% são homens e 49% são mulheres. O perfil dos entrevistados contempla 52% de millennials, 24% de geração X, 17% de geração Z, 5% de baby boomers e 2% indefinido.

 

Embora a prática de exercícios continue sendo a principal forma de cuidado mental no Brasil, a adesão cai de forma consistente conforme a idade diminui. Na Geração X (43 a 63 anos), 40% dos homens e 34% das mulheres mantêm uma rotina de atividade física com foco na saúde mental. Entre os millennials (29 a 42 anos), os índices caem para 38% e 30%, respectivamente.

 

A diferença é mais acentuada na Geração Z (18 a 28 anos): apenas 34% dos homens e 26% das mulheres afirmam praticar exercícios com esse objetivo. Essa geração também é a que mais declara não fazer nada pela saúde mental — 39% dos homens e 35% das mulheres. Em contrapartida, apenas 14% dos baby boomers dizem não adotar nenhuma prática de autocuidado, o menor índice entre todas as faixas etárias.

 

A inversão etária aponta para um quadro de apatia e esgotamento precoce entre os trabalhadores que estão ingressando no mercado. “Os profissionais da Geração Z são os menos ativos e têm o dado mais preocupante entre todas as gerações, já que são os que mais declaram não fazer nada para cuidar da saúde mental”, destaca Luis Gonzalez, CEO e cofundador da Vidalink.

 

O estudo também revela um aumento progressivo da ansiedade, da angústia e da falta de motivação conforme a geração se torna mais jovem,  e as mulheres são consistentemente mais afetadas. O salto mais alarmante está na Geração Z: 72% das mulheres e 51% dos homens dessa faixa etária relatam sentimentos negativos na maior parte dos dias.

 

Segundo Lina Nakata, professora, pesquisadora e consultora em Gestão de Pessoas, Carreiras e Diversidade, Equidade e Inclusão, as mulheres recorrem muito mais à terapia e aos medicamentos do que os homens — variáveis que podem estar relacionadas entre si —, enquanto os homens baby boomers passaram a buscar terapia (de 1% para 13% do grupo), deixando de não fazer nada.

 

“A meditação também tem sido uma grande aliada para as mulheres mais maduras, com 17% das baby boomers adotando a prática, o maior número entre as gerações. Buscar soluções para a própria saúde mental exige disponibilidade de tempo e recursos e provavelmente os grupos que mais mostraram não recorrer a algo são também os que têm menos acesso”, analisa Nakata.