Amizade: um dos pilares invisíveis da saúde emocional
Por Maximino Brügger Perez
15.07.2026 às 13h00m
Em uma sociedade marcada pela velocidade das informações, pela hiperconectividade digital e pelo crescente isolamento emocional, a amizade permanece como uma das experiências humanas mais valiosas e transformadoras
Mais do que companhia, os vínculos de amizade constituem importantes fontes de acolhimento, pertencimento e sustentação psíquica ao longo da vida. Para a psicanalista Araceli Albino, fundadora do NPP – Núcleo Brasileiro de Pesquisas Psicanalíticas e presidente do SINPESP – Sindicato dos Psicanalistas do Estado de São Paulo, a amizade ocupa um lugar de destaque na construção da saúde emocional.
“Os seres humanos são constituídos nas relações. Desde os primeiros vínculos da infância, buscamos no outro reconhecimento, escuta e validação. As amizades saudáveis representam uma continuidade desse processo, oferecendo espaços seguros para compartilhar alegrias, angústias, sonhos e desafios”, afirma.
Sob a perspectiva da Psicanálise, a amizade não se resume à convivência social. Ela desempenha uma função psíquica relevante ao possibilitar trocas afetivas que fortalecem a autoestima, ampliam a capacidade de enfrentar adversidades e favorecem o desenvolvimento emocional. Os amigos tornam-se testemunhas de nossa trajetória, compartilhando experiências que ajudam a dar significado à própria existência.
Não por acaso, pesquisas em diferentes áreas da saúde apontam que pessoas que mantêm laços de amizade consistentes apresentam melhor qualidade de vida, menores índices de estresse e maior sensação de bem-estar. O apoio emocional oferecido por relações genuínas atua como um fator de proteção diante das pressões cotidianas e dos momentos de vulnerabilidade.
Araceli Albino destaca que, em um tempo em que muitas conexões são superficiais e mediadas por telas, torna-se ainda mais importante valorizar os relacionamentos construídos com presença, confiança e reciprocidade.
“A verdadeira amizade não se mede pela frequência das interações, mas pela qualidade do vínculo. Bons amigos são aqueles que permanecem presentes de forma autêntica, respeitando a individualidade do outro e oferecendo suporte sem julgamentos. São relações que acolhem tanto as conquistas quanto as fragilidades humanas.”
Na visão psicanalítica, a amizade também favorece o autoconhecimento. Ao nos relacionarmos com o outro, encontramos diferentes formas de nos enxergarmos, ampliando nossa compreensão sobre desejos, limites e potencialidades. Trata-se de um encontro que promove o crescimento mútuo e fortalece a capacidade de estabelecer vínculos saudáveis.
Em tempos de crescente preocupação com a saúde mental, cultivar amizades verdadeiras deixa de ser apenas uma escolha afetiva para se tornar um investimento na própria qualidade de vida. Afinal, se o ser humano se constitui nas relações, são os laços construídos com afeto, respeito e confiança que ajudam a sustentar uma existência mais equilibrada, significativa e emocionalmente saudável.
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