Quando a estética ultrapassa os limites da Odontologia
Por Maximino Brügger Perez
24.04.2026 às 10h44m
A recente decisão do Conselho Federal de Odontologia de reconhecer a Cirurgia Estética Orofacial como nova especialidade, por meio da Resolução CFO nº 286/2026, amplia de forma preocupante o campo de atuação dos cirurgiões-dentistas e reacende um debate delicado sobre limites técnicos, segurança e responsabilidade profissional
Com a norma, procedimentos estético-faciais que até pouco tempo estavam fora da prática odontológica tradicional passam a ser formalmente incorporados ao exercício da profissão. A mudança inclui intervenções de maior complexidade na face, deslocando a odontologia para uma zona de atuação cada vez mais próxima da cirurgia estética.
O argumento do Conselho Federal de Odontologia é o de que o domínio anatômico da região de cabeça e pescoço habilita o dentista a avançar nesse território. De fato, a formação odontológica oferece conhecimento anatômico facial. Mas conhecimento anatômico, isoladamente, não substitui formação cirúrgica ampla, experiência hospitalar, manejo de complicações sistêmicas e preparo para intercorrências que podem surgir em procedimentos invasivos.
A face não é apenas um território anatômico: é uma área de elevada complexidade funcional, vascular e estética, onde qualquer intervenção exige avaliação rigorosa, indicação precisa e retaguarda adequada. Em procedimentos cirúrgicos, a margem para erro é mínima e o impacto de uma complicação pode ser irreversível. Ao permitir intervenções cirúrgicas que envolvem estruturas ósseas, nervosas, cartilaginosas, vasos sanguíneos e risco anestésico, a norma ultrapassa limites de segurança.
A formação médica inclui anos de treinamento hospitalar, residência, vivência cirúrgica supervisionada e preparo para enfrentar urgências. Ainda assim, podem surgir problemas. Imagine o risco que o paciente passa ao fazer um procedimento estético com quem não tem formação específica.
Um levantamento do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) mostrou que o número de ocorrências envolvendo profissionais não médicos vem aumentando. Em 2024 foram 248 queixas, no ano passado 472 – um aumento de 90,3%. Por isso, é preciso ter cautela. Quando o critério técnico cede espaço à pressão corporativa, a conta chega ao paciente
* Antonio José Gonçalves é professor de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Santa Casa de São Paulo e presidente da Associação Paulista de Medicina (APM)
avaliação rigorosa
cartilaginosas
cirurgia estética
Cirurgia Estética Orofacial
cirurgiões-dentistas
complexidade
complexidade funcional
Conselho Federal de Odontologia
estética
estético-faciais
estruturas ósseas
exercício da profissão
intervenções cirúrgicas
nervosas
odontologia
odontológica
procedimentos cirúrgicos
profissional
risco anestésico
Segurança
técnicos
território anatômico
vasos sanguíneos
Carreira & negócios
Isabelle Danelo: referência em marketing digital e eventos
Desde muito jovem, Isabelle Danelo mostrou seu espírito empreendedor Aos 11 anos, começou a vender produtos para realizar seus próprios sonhos e, aos 13, já comercializava camisetas personalizadas para todo o Brasil, impulsionada pelo poder da internet Foi nesse momento que descobriu sua verdadeira paixão: a comunicação e o marketing. Formada em Jornalismo […]
Beleza
O Diabo Veste Prada 2: o que as protagonistas revelam sobre a nova cultura da estética preventiva no Brasil
Crescimento dos procedimentos não cirúrgicos no país aquece demanda por logística especializada de insumos termolábeis Quando O Diabo Veste Prada chegou aos cinemas em 2006, Meryl Streep e Anne Hathaway protagonizaram um dos filmes mais marcantes da década. Vinte anos depois, com a estreia da continuação no dia 30 de abril, o que chamou […]